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1 de dezembro de 2006


Pedro Tamen (1934)


Escrito de memória

Formado em direito e solidão,
às escuras te busco enquanto a chuva brilha.
É verdade que olhas, é verdade que dizes.
Que todos temos medo e água pura.

A que deuses te devo, se te devo,
que espanto é este, se há razão pra ele?
Como te busco, então, se estás aqui,
ou, se não estás, porque te quero tida?
Quais olhos e qual noite?
Aquela
em que estiveste por me dizeres o nome.


Pedro Tamen



1 de dezembro de 2004


Pedro Tamen (1934)


Onde foste ao bater das quatro horas
E, antes, quem eras tu, se eras?
Amigo ou inimigo, posso falar-te agora
Sentado à minha frente e com os ombros
Vergados ao peso da caneta?
Falo-te sobre a cabeça baixa
E vejo para além de ti no horizonte,
Teus riscos e passadas;
Mas não sei onde foste nem se eras.
Olho-te ao fundo, sob o sol e a chuva,
Fazendo gestos largos ou só um leve aceno;
Dizes palavras antigas,
De antes das quatro horas,
E nada sei de ti que tu me digas
Dessa cabeça surda.
Não te pergunto pela verdade,
Que pensas de amanhã ou se já leste Goethe;
Sequer se amaste ou amas
Misteriosamente
Uma mulher, um peixe, uma papoila.
Não quero essa mudez de condolências
A mim, a ti, ou só à terra
Que tu e eu pisamos – e comemos.
Pergunto simplesmente se tu eras,
Quem eras, e onde foste
Depois que se fizeram quatro horas.

Será que não tens olhos? Não tos vejo.
De longe em longe
Agitas a cabeça, mas talvez seja engano.
Palavra que não te entendo.
Amigo, a que vieste?

Pedro Tamen

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