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29 de junho de 2008




Give Me Back My Rags #11



I've wiped your face off my face

Ripped your shadow off my shadow

Leveled the hills in you

Turned your plains into hills

Set your seasons quarreling

Turned all the ends of the world from you

Wrapped the path of my life around you

My impenetrable my impossible path

Just try to meet me now



Vasko Popa
.

29 de junho de 2007


Vasko Popa (1922-1991)


Give me back my rags #8

So you want us to love each other
You can make me out of ashes
The trash of my belly laughs
Out of what’s left of my boredom
You can doll-face
You can grab me by the hair of my short memory
Hug my night in its empty shirt
Kiss and kiss my echo
And you don’t even know how to love
.
Vasko Popa (tradução inglesa de Charles Simic)

29 de junho de 2006


Vasko Popa (1922-1991)


Give Me Back My Rags #4

Get out of my walled infinity
Of the star circle round my heart
Of my mouthful of sun

Get out of the comic sea of my blood
Of my flow of my ebb
Get out of my stranded silence

Get out I said get out

Get out of my living abyss
Of the bare father-tree within me

Get out how long must I cry get out

Get out of my bursting head
Get out just get out

Vasko Popa


Tradução inglesa de Anne Pennington)
.

29 de junho de 2005


Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944)


– Esta noite – preveniu-me meu pai – hás-de os ouvir sussurrar nas tendas e chegarão aos teus ouvidos protestos contra o que eles consideram uma crueldade. Mas eu esmagar-lhes-ei na garganta a menor tentativa de rebelião. Ou não tratasse de forjar o homem!
E, no entanto, adivinhava a bondade de meu pai.
– Quero que eles amem – concluía ele – as águas vivas das fontes. E a superfície ininterrupta da cevada verde, recozida na crepitação do Verão. Quero que eles glorifiquem o regresso das estações. Quero que eles se alimentem, semelhantes a frutos que se realizam, de silêncio e de vagar. Quero que eles chorem por muito tempo os seus lutos, que prestem demoradas homenagens aos mortos, porque a herança passa lentamente de geração para geração. O que eu não quero é que eles derramem o seu mel pelo caminho. Quero que eles sejam semelhantes ao ramo da oliveira, que sabe esperar. Quando forem semelhantes a ele, começarão a sentir o grande balançar de Deus, que vem como um sopro experimentar a árvore. Ora os leva ora os traz, da alba para o crepúsculo, do Verão para o Inverno, das searas que medram para as colheitas já enceleiradas, da mocidade para a velhice, e depois da velhice para os filhos novos. Porque, tal como acontece com a árvore, não podes saber seja o que for do homem se o desdobras pela sua duração e o distribuis pelas suas diferenças. A árvore não é semente, depois caule, depois tronco flexível, depois madeira morta. Para a conhecer é preciso não a dividir. A árvore é essa força que desposa a pouco e pouco o céu. É o que acontece contigo, meu rapaz. Deus faz-te nascer, faz-te crescer, enche-te sucessivamente de desejos, de pesares, de alegrias e de sofrimentos, de cóleras e de perdões, até que te faz ingressar de novo n'Ele. E, no entanto, tu nem és aquele estudante, nem aquele esposo, nem aquela crinça, nem aquele velho. Tu és aquele que se cumpre. E, se sabes ver em ti um ramo que baloiça, bem pegado à oliveira, hás-de nos teus movimentos gozar da eternidade. E tudo à volta se tornará eterno. Eterna a fonte que canta e soube matar a sede a teus pais, eterna a luz dos olhos quando a bem-amada te sorrir, eterna a frescura das noites. O tempo deixa de ser uma ampulheta que vai gastando a areia, e faz lembrar um ceifeiro que ata a sua gavela.


Antoine de Saint-Exupéry, Cidadela
Tradução de Ruy Belo
Lisboa, Editorial Aster, 4ª ed., 1978.