17 de outubro de 2005


António Ramos Rosa (1924)


Caminho um caminho de palavras
(porque me deram o sol)
e por esse caminho me ligo ao sol
e pelo sol me ligo a mim

E porque a noite não tem limites
alargo o dia e faço-me dia
e faço-me sol porque o sol existe

Mas a noite existe
e a palavra sabe-o.


António Ramos Rosa, Sobre o Rosto da Terra

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3 comentários:

biga disse...

Olá! quem me dera que o Sol brilhasse aqui para os meus lados!!...adorei a frase «a História tem o capricho de se repetir e a mediocridade é quase sempre arrogante» a propósito do meu texto.Tinha que desabafar... A situação está a ficar incontrolável....querem «gerir» «governar» e «controlar» a todo o custo...beijocas de umas «vozesdomar» sem força.

O Caminhador disse...

Acredito também nas palavras como objeto de relação inter e intra pessoal, e com o meio. Em fim, palavra como meio de relação.

Graça disse...

Obrigada pelo comentário, Caminhador. Também acredito que as palavras permitem que vivamos menos "a sós". E que são uma forma, embora limitada, de chegarmos aos outros. O silêncio tem um vocabulário reduzido: limita-se a dizer desinteresse, indiferença e pouco mais. Quebrar o silêncio é uma acto de generosidade, de reconhecimento da existência e da importância do outro. Quem opta por um mutismo egoísta tem a solidão que merece, infelizmente.
Por tudo isto lhe deixo aqui uma resposta.