11 de março de 2007


Sebastião Alba (1940-2000)



N
inguém meu amor

Ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Podem utilizá-lo nos espelhos
apagar com ele
os barcos de papel dos nossos lagos
podem obrigá-lo a parar
à entrada das casas mais baixas
podem ainda fazer
com que a noite gravite
hoje do mesmo lado
Mas ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Até que o sol degole
o horizonte em que um a um
nos deitam
vendando-nos os olhos


Sebastião Alba
.

4 comentários:

Photoptero disse...

para quem diz que "A Poesia foi, para mim, corso: de quando em vez, fazia abordagens", vale muito (re)lê-lo, várias vezes...

Henrique Dória disse...

Até que o sol degole
Muito belo.

Patrícia disse...

eu nasci a 11 de Março, portanto vou fingir que o poema também é para mim :)

marta dutra disse...

adoro este poema e adorei este blog. vale a pena passar por cá.