11 de janeiro de 2010

Fotografia de Ibán Ramón

o sol ensina o único caminho
a voz da memória irrompe lodosa
ainda não partimos e já tudo esquecemos
caminhamos envoltos num alvéolo de ouro fosforecente
os corpos diluem-se na delicada pele das pedras
falam os rios deste regresso e pelas margens ressoam passos
os poços onde nos debruçámos aproximam-se perigosamente
da ausência e da sede procurámos os rostos na água
conseguimos não esquecer a fome que nos isolou
de oásis em oásis

hoje
é o sangue branco das cobras que perpetua o lugar
o peso de súbitas cassiopeias nos olhos
quando o veludo da noite vem roer a pouco e pouco a planície

caminhamos ainda
sabemos que deixou de haver tempo para nos olharmos
a fuga só é possível para dentro dos fragmentados corpos
e um dia...quem sabe?
chegaremos
Al Berto





4 comentários:

jv disse...

É bom voltar depois do silêncio, ainda que, verdadeiramente, não tenha mesmo partido...
É reconfortante ter acesso a este cantinho e a estas preciosidades, como esta do Al Berto.
O meu muito obrigado.
Um abraço

Graça disse...

Eu é que agradeço a presença - com ou sem palavras.

Um abraço.

Lygia disse...

Oii! QUanto tempo hein?! rs...
estranho este sentimento. Mal posto comentários aqui, mas sempre estou te visitando. Vez ou outra lembro do seu blog, com as poesias, os contos, etc... Muitos me ajudaram e certeza que muitos outros ainda me ajudarão a acalmar meus dias.
^^
bjos

Graça disse...

Bem Lygia, fico sensibilizada. Obrigada. Espero que o blogie possa ter sempre este excelente "efeito- alprazolan" :)
Agora a sério: ainda bem que há palavras que acalmam os dias. Beijinhos.