12 de agosto de 2007


Miguel Torga (1907-1995)


VIAGEM

Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...
( Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).


Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura.
O que importa é partir, não é chegar.

Miguel Torga
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2 comentários:

Elvaporcito disse...

-"Filho"...
E o que a seguir se lê
É de uma tal pureza e um tal brilho,
Que até da minha escuridão se vê.

(Miguel Torga)

Mito disse...

Cara Graça:

Torga é dos raros deuses que a minha apostasia ateísta reconhece... Nele me reencontro SEMPRE.