5 de junho de 2005


John Singer Sargent, Carnation, Lily, Lily, Rose


Dá-me lírios, lírios,
E rosas também.
Mas se não tens lírios
Nem rosas a dar-me,
Tem vontade ao menos
De me dar os lírios
E também as rosas.
Basta-me a vontade,
Que tens, se a tiveres,
De me dar os lírios
E as rosas também,
E terei os lírios -
Os melhores lírios -
E as melhores rosas
Sem receber nada,
A não ser a prenda
Da tua vontade
De me dares lírios
E rosas também.

Álvaro de Campos

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7 comentários:

Pele disse...

Muito bonito, de uma simplicidade tremenda própria de um pastor...
Fique bem

Graça disse...

É verdade, este poema surpreende por parecer de Caeiro, não de Campos (este poema, sim, é "clearly non Campos"). Foi também por isso que o escolhi.

Ana disse...

Obrigada pela tua visita à Encosta, e por me deixares reler este magnífico poema de Àlvaro de Campos.

Graça disse...

Bem, agora é a minha vez de agradecer a visita - e agradecer também a Álvaro de Campos, já que foi em busca deste poema que cheguei à Encosta...

Jorge Ferro Rosa disse...

Palavras profundas alguém disse, alguém sentiu e espalhou os lírios...rosas também e tanto mais. Passei por aqui e gostei do que está escrito. Parabens.
Abraço. Jorge Ferro Rosa

Graça disse...

Muito obrigada pelas palavras simpáticas. Também gostei de folhear o Caderno da Alma...

milton toshiba disse...

Sargent, meu preferido. Adoro a mistura do clássico com impressionismo.