10 de junho de 2005


Pablo Picasso, O Poeta



Vós que, de olhos suaves e serenos,
Com justa causa a vida cativais,
E que os outros cuidados condenais
Por indevidos, baixos e pequenos;

Se ainda do Amor domésticos venenos
Nunca provastes, quero que saibais
Que é tanto mais o amor despois que amais,
Quanto são mais as causas de ser menos.

E não cuide ninguém que algum defeito,
Quando na cousa amada se apresenta,
Possa diminuir o amor perfeito;

Antes o dobra mais; e se atormenta,
Pouco e pouco o desculpa o brando peito;
Que Amor com seus contrairos se acrescenta.

Luís de Camões

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2 comentários:

Pele disse...

Camões e Picasso um conjunto bastante homogénio. Este soneto fez-me lembrar os meus tempos de escola e os dificeis exames por esta altura.
Fique bem.

Graça disse...

É pena Camões ser associado a exames, ele que devia ser associado simplesmente à poesia. Mas entendo, já passei pelo mesmo. Devia ser obrigatório ler Camões, não estudá-lo.