30 de outubro de 2006


EURÍDICE

Lançaste-me então para trás,
eu que poderia ter caminhado com as almas vivas sobre a terra,
eu que poderia ter dormido entre flores vivas
por fim;

então pela tua arrogância
pela tua truculência
fui lançada para trás
para onde o líquen morto escorre
escórias mortas sobre musgo de cinza;

então pela tua arrogância
estou por fim despedaçada,
eu que vivi inconsciente,
que fui quase esquecida;

se me tivesses deixado esperar
teria crescido da indiferença
para a paz,
se me tivesses deixado repousar com os mortos,
ter-me-ia esquecido de ti
e do passado.

Hilda Doolittle (tradução de Filipe Jarro)
.

4 comentários:

[N] disse...

obrigado por ezra pound, graça, que já há muito não lia...

Graça disse...

De nada, Nuno. Confesso que nem sempre gostei muito de Ezra Pound. Mas mudei de ideias. Há sempre uma altura em que um autor consegue falar connosco.

Anónimo disse...

o ezra pound é um poeta fascinante, como - espero - talvez se depreenda dos poemas dele traduzidos neste livro. Mas acontece que o 'Eurídice´é da HD, e não dele... Penso que o escreveu a pensar nele, apesar de isso não estar escrito em nenhuma parte. Filipe Jarro

Graça disse...

Muito obrigada pela observação, lamento não ter feito anteriormente a correcção, mas não tinha, sinceramente, lido o comentário.