14 de outubro de 2006


e. e. cummings (1894-1962)

toda a ignorância escorrega para o saber
e de novo se arrasta para a ignorância:
mas o inverno não é para sempre,mesmo a neve
derrete;e se a primavera estragar o jogo, que fazer?

toda a história é um desporto de inverno ou três:
que fossem cinco, eu seguiria insistindo que toda
a história é demasiado pequena até mesmo para mim;
para mim e para ti, excessivamente demasiado pequena.

Mergulha (estridente mito colectivo) na tua tumba tão-só para trabalhar a escala até à hiperestridência por cada magda e marta diogo e david
-amanhã é o nosso endereço permanente

e aí mal nos hão-de achar(se acharem,
mudaremos ainda mais para diante:para agora

e.e.cummings

(tradução de Jorge Fazenda Lourenço)

.

5 comentários:

Graça disse...

all ignorance toboggans into know
and trudges up to ignorance again:
but winter's not forever,even snow
melts;and if spring should spoil the game,what then?

all history's a winter sport or three:
but were it five,i'd still insist that all
history is too small for even me;
for me and you,exceedingly too small.

Swoop(shrill collective myth)into thy grave
merely to toil the scale to shrillerness
per every madge and mabel dick and dave
--tomorrow is our permanent address

and there they'll scarcely find us(if they do,
we'll move away still further:into now

ee cummings

[N] disse...

em tempo de narcisos (que sabem
o sentido da vida é crescer)
esquecendo porquê,recorda como

em tempo de lilases que proclamam
o desígnio da vigíla é sonhar,
recorda assim(esquecendo parece)

em tempo de rosas(que assombram
o nosso agora e aqui com o paraíso)
esquecendo se,recorda sim

em tempo de todas as doçuras para além
do que quer que a mente possa entender,
recorda busca(esquecendo acha)

e num mistério a haver
(quando o tempo do tempo nos livrar)
esquecendo-me,recorda-me


gosto muito deste espaço e devolvo-vos também e.e.cummings.

Graça disse...

Obrigada, Nuno, pelas palavras -as tuas e as de e.e. cummings. Confesso que hesitei entre três poemas com que "coincido", mas,felizmente, dois deles já estão aqui...

M disse...

Graça, acompanho-te, tal como ao Nuno, e deixo-te o poema que mais gosto. Um beijo.

somewhere I have never
travelled,gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or wich I cannot touch because they are too near

your slightest look easily unclose me
though I have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfuuly, mysteriously) her first rose

or if your wish be to close me, I and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility:whose texture
compels me with the colour of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(I do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands

e.e. cummings

Graça disse...

Obrigada, Marta, tenho o problema da indecisão resolvido: já tenho os três poemas de que gostava aqui... Só não escolhi o teu preferido, porque já não gostei tanto da tradução e como sinto que abuso do inglês por aqui...


Beijinho!