23 de outubro de 2004


Habituei-me a que não falasses comigo
isto é
que falasses com quem me vês
de modo que
inevitavelmente
também deixei de te responder
e vou vogando pelo teu dialecto fácil
pelas palavras
cálidas
polidas
ténues
irónicas
simpáticas
monótonas
leves
divertidas
convencionais
que me estendes
palavras meio-mortas
que te devolvo numa ilusão de conversa
sem que te atrevas
naturalmente
a queimar os dedos nas sílabas de lava do que sentes
e num degelo lento
chegar até ti.

3 comentários:

Vera Cymbron disse...

é lindo o que escreves.
finalmente algo teu!
mas como diz o ditado, antes poucos, mas bons, né?!
é muito bom ler-te...
UM DIA DESTES VOU PLAGIAR-TE!

6-15 Produções disse...

LINDO!!! Sem palavras... Foi pura coincidência vir aqui... mas voltar será imperativo, de forma a me deliciar com as tuas belas palavras de verdade magoada e por si global a tantas outras. Fico na esperança de cá voltar e como diz a Blue, de voltar a "ler-te". Afinal quem está a plagiar sou eu... desculpa Blue!
Continua assim ... encontramo-nos algures no Auge da sabedoria... numa Terça-feira qualquer... ouvindo uma música de alguém... na certeza incerta de ser uma hora, cujo compromisso, outro nos ousa roubar.

Um Beijo

António disse...

Desculpe roubar-lhe este poema. É um roubo sem perdão. Mas peço-o.